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Não há dados? Ao menos de ar sempre vamos sabendo como vão andando as coisas.

Li hoje (ontem, que já passa da meia-noite) no Público uma notícia que dava conta do não envio de dados de 2012 sobre o ruído ambiente pela APA para a EEA (European Environmental Agency). Segundo Colin Nugent, e por palavras de portugueses, Portugal não tem recursos para fazer as medições. Saltam-me aqui logo duas questões. Estamos em 2015 e aqui falam-se dos dados de 2012! Como é possível permitirem um atraso de 3 anos? A outra questão é, não há recursos… como assim? Não há equipamentos? Não há pessoas? Alguém que me explique isto. Há equipamentos mas não estão em funcionamento, não há dinheiro para calibrações e manutenção? Há equipamento operacional mas faltam pessoas? Não há equipamento nem recursos humanos? E se estão a faltar dados de 2012, porque não se tomaram medidas nessa data para contornar o problema? Secalhar nem existem... se não foram enviados valores porque não se consegue fazer as amostragem, então nem devem existir valores.

Afinal foram várias perguntas.

 

Foi também através da mesma notícia que fiquei a saber da publicação do relatório “O Ambiente na Europa – Estado e Perspectivas”. Dei uma leitura rápida à página dedicada a Portugal, focando-me mais na qualidade do ar (que estranho, eu andar a ler sobre ar…). Em 2011 e 2012, Portugal foi dos países que mais reduziu emissões e se manteve abaixo do valor limite de óxidos de azoto (respectivamente, -29% e -32%) e dióxido de enxofre (-62% e -65%). Em 2013 a qualidade do ar em Portugal registou um número significativo de dias considerados “Bons” e “Muito Bons”. Contudo foi superado o número de dias permitidos para excedências no ozono troposférico (O3) e nas partículas finas (PM2.5).

Os dois poluentes mais preocupantes actualmente são o ozono troposférico (O3) e as partículas, em especial as PM2.5. O O3 é um oxidante muito forte, capaz de causar alterações na função pulmonar em asmáticos ou pessoas com doença pulmonar obstrutiva crónica; as PM2.5 são as partículas finas e por isso conseguem penetrar mais profundamente no pulmão. Para além dos indivíduos já debilitados no seu sistema respiratório, idosos, crianças  e desportistas são também populações susceptíveis. Todos os poluentes referidos estão fortemente ligados ao tráfego e para manter os valores baixos e diminuir o O3 e as PM2.5 é preciso reduzir o tráfego automóvel no país, em especial nas zonas mais críticas, como foi e é o caso de Lisboa.

 

Mas continuo a pensar na cena do ruído.

E sim, eu digo "cena".

 

 

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